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As Notáveis por Redação RVP

Redação
Por: Marcelo Gusmão
16/03/2026 às 16:23 Atualizada em 31/05/2026 às 09:42
As Notáveis por Redação RVP

Metade da população mundial é formada por mulheres – a outra metade, por seus filhos. Essa é a humanidade tal como ela realmente é. No entanto, por um misto de complexo de inferioridade, insegurança e ignorância – atributos comuns aos animais racionais do sexo masculino –, a sociedade insiste em subjugar, boicotar e ofuscar o brilho das mulheres, especialmente daquelas cujo valor impactou profundamente a nossa história.

 

É o caso, por exemplo, da física e química polonesa Marie Curie, que foi laureada duas vezes com o Prêmio Nobel. Além de descobrir os elementos rádio e polônio, Marie Curie desenvolveu um aparelho autônomo de raios X. O dispositivo, acoplado a um veículo, permitia revelar imagens no próprio campo de batalha, facilitando o diagnóstico preciso das lesões dos soldados feridos na Primeira Guerra Mundial.

 

Se fosse homem, seu nome talvez estivesse estampado nos livros de história de muitos países. Entretanto, infelizmente, vivemos em uma sociedade machista – o que torna essas mulheres ainda mais extraordinárias. Mulheres que dedicaram suas vidas ao estudo de áreas tradicionalmente dominadas por homens. Mulheres que desafiaram convenções sociais, enfrentaram instituições, comunidades acadêmicas e colegas de profissão. Mulheres que renunciaram aos confortos da vida e fizeram grandes sacrifícios pessoais.

 

Lise Meitner, conhecida como a “mãe da fissão nuclear”, e Jocelyn Bell Burnell, a astrofísica esquecida, são dois exemplos clássicos de como ainda habitamos uma sociedade primitiva. Nenhuma delas foi agraciada com o Prêmio Nobel, embora seus colegas homens, integrantes das mesmas equipes de pesquisa, tenham recebido o reconhecimento. Lise Meitner dispensa apresentações; já Jocelyn Bell Burnell descobriu os pulsares estelares – uma das maiores contribuições à astrofísica moderna.

 

Como contraponto a essas injustiças, destacamos uma mulher que enfrentou de frente o ranço machista da sociedade: Bertha Lutz. Ao trazê-la para esta reflexão, contextualizamos também a história do Brasil, ampliando a compreensão do leitor sobre tais questões sociais.

 

Bertha marcou época ao lutar pelo que acreditava, em um tempo em que as mulheres precisavam de autorização até para sair de casa. Faleceu em 1976, aos 82 anos, tendo desempenhado papel fundamental no movimento sufragista. Representou o Brasil na Assembleia Geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos. De volta ao país, fundou a Federação pelo Progresso Feminino e iniciou sua luta pelo direito ao voto feminino e à igualdade de direitos políticos. Um de seus maiores objetivos era mostrar que as mulheres não eram dependentes dos homens – e ela conseguiu.

 

Já que estamos falando de mulheres brasileiras que desafiaram as convenções de sua época, não podemos deixar de mencionar Chiquinha Gonzaga e Maria Quitéria.

 

Chiquinha, renegada pela própria família, separada de um marido que a proibia de tocar piano e afastada dos filhos, escolheu viver pela música, sua maior paixão. Foi a primeira mulher a reger um concerto exclusivo de violões – algo inédito numa época em que até tocar serenata era proibido. Enfrentando tudo e todos, abriu caminho para a presença feminina na música popular brasileira. Sua marchinha “Ó abre alas” é entoada até hoje nas folias de Carnaval.

 

Maria Quitéria, por sua vez, aparece retratada em várias pinturas da Guerra da Independência (1822–1824), com cabelos curtos, encaracolados e roupas masculinas – disfarce que lhe permitiu lutar como soldado contra o domínio português. Isso porque seu pai havia proibido seu alistamento. Foi a primeira mulher-soldado do Brasil e liderou um grupo de combatentes contra os portugueses. É símbolo de coragem, bravura e determinação.

 

Essas são algumas das mulheres que nos inspiram em solo brasileiro, sem deixar de citar a marcante figura da Princesa Isabel. Responsável por assinar a Lei Áurea, que aboliu definitivamente a escravidão no Brasil em 1888, também sancionou a Lei do Ventre Livre. Educada com o mesmo rigor destinado aos meninos, foi a primeira mulher a exercer o cargo de chefe de Estado na América Latina, como regente do Império.

 

Se não fossem as mulheres, por exemplo, até hoje você poderia estar vivendo de forma rudimentar dentro de casa, pois foi uma delas, Florencia Parpart, quem inventou a geladeira. Da mesma forma, a história reconhece como responsável pelas tecnologias que deram origem ao Wi-Fi e ao GPS a atriz e inventora Hedy Lamarr, que criou esse sistema em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.

 

A seringa moderna foi inventada por Letitia Geer, em 1896. A fralda descartável, por Marion Donovan – que também criou o fio dental como o conhecemos hoje. Em 1986, Patricia Bath revolucionou as cirurgias de catarata ao introduzir o uso do laser no procedimento. Ada Lovelace, por sua vez, foi a primeira programadora de computadores da história.

 

Elas estão em tudo. Elas mudaram o mundo.

 

A conclusão inevitável é que o machismo é, sim, fruto de um profundo complexo de inferioridade masculino. E sejamos justos: não se pode condenar os homens por isso… afinal, esse complexo tem razão de ser.

 

Elas são o máximo! Viva as mulheres!

 

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