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Clarice Abreu: Onde A Ciência Encontra A Alma

Redação
Por: Marcelo Gusmão
12/12/2025 às 17:43 Atualizada em 10/03/2026 às 01:08
Clarice Abreu: Onde A Ciência Encontra A Alma

Há profissões em que o fazer técnico é tão preciso que quase se confunde com arte. A cirurgia plástica craniofacial, campo em que atua a Dra. Clarice Abreu, é uma delas. Entre bisturis e impressões 3D, ela opera não apenas rostos, mas destinos. Seu trabalho devolve mais do que simetria: devolve possibilidade, voz e, sobretudo, identidade. 

“Meu ponto de partida é sempre o funcional: respirar, ouvir, se alimentar e se desenvolver bem. Mas logo vem o emocional, porque cada malformação carrega uma história”, explica. É dessa combinação entre ciência e sensibilidade que nasce sua filosofia de atuação: harmonizar forma, função e alma.

Formada em medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e especializada em cirurgia plástica com foco em orelhas, fissuras labiopalatinas e malformações cranianas, a médica representa uma geração de profissionais que veem na reconstrução uma forma de libertação. “A estética, nesse 
contexto, não é vaidade. É restauração de identidade.”

Quando a beleza é uma forma de cura

Ela lembra com ternura de alguns reencontros que marcaram sua trajetória. “Uma paciente com fissura labial bilateral voltou feliz me trazendo um batom para passar no novo lábio dela. Foi o símbolo da reconquista da própria imagem.” Outro caso, o de um menino com ptose palpebral grave, também a emocionou. “Ele precisava segurar a pálpebra para conseguir enxergar e não conseguia estudar. Depois da cirurgia, passou a ler sozinho. São momentos em que percebo que a reconstrução é muito mais do que técnica; é libertação.”

Na fala da doutora, percebe-se a convicção de que a estética é uma consequência da função restaurada. “Na face, forma e função são inseparáveis”, diz. “A posição de um osso ou a simetria labial podem interferir na fala, na respiração e até no desenvolvimento emocional.” Por isso, ela defende que a cirurgia plástica reparadora deve ser vista como uma ferramenta de saúde integral.

Ética, tempo e prudência

Em um tempo em que os resultados rápidos são exaltados, a médica ensina que, na medicina, saber esperar também é um ato de amor. “Há casos em que uma intervenção precoce pode comprometer o crescimento ou a função. A decisão ética é dizer ‘ainda não’. O tempo também é parte do tratamento.”

É uma visão que revela maturidade e respeito pela fisiologia, um contraponto necessário num mundo que muitas vezes confunde beleza com pressa. 

Ciência, tecnologia e empatia

Clarice tem no currículo passagens por centros de referência em Dallas, Rotterdam, Montreux, Londres e Paris. Nessas experiências, consolidou a certeza de que a cirurgia craniofacial é um gesto coletivo, feito de ciência e empatia. “Vivemos uma revolução. A impressão 3D permite planejar e ensaiar cirurgias complexas com precisão milimétrica; a biotecnologia abre caminho para tecidos vivos e enxertos personalizados; e a inteligência artificial já auxilia no planejamento dos casos”, explica. Mas ela faz um alerta: “Inovação sem propósito não transforma realidades.” O desafio, segundo a cirurgiã, é democratizar o acesso a essas tecnologias e fazer com que o Brasil se torne referência nesse campo. “Meu sonho é ver o país unir ciência de ponta e acolhimento humano.”

O ato de ensinar e o dom de  aprender

Com o mesmo cuidado com que conduz suas cirurgias, a médica também forma novas gerações de cirurgiões. “Ensinar é uma forma de refletir sobre o próprio fazer. Quando oriento um residente, preciso racionalizar o que faço intuitivamente, e isso me torna mais precisa e mais humana.” Ela reconhece que cada aluno traz um novo olhar. “Enquanto formo cirurgiões, eles também me transformam.”

A mulher por trás do jaleco

Entre plantões e centros cirúrgicos, Clarice encontra refúgio na família. “Meus filhos são minha maior fonte de equilíbrio; eles me lembram todos os dias o sentido do que faço.” Nos momentos de pausa, ela desenha, dança e viaja. “Essas pausas me ajudam a voltar ao centro, e isso reflete na calma e na presença que tento levar para o centro cirúrgico.”

Talvez seja por isso que sua prática médica carregue algo de poético, como se, ao reconstruir um rosto, ela também realinhasse o destino. “Gostaria de deixar um legado de ética, técnica e colaboração. Que as futuras gerações entendam que a cirurgia craniofacial é mais do que reconstruir estruturas; é reconstruir histórias.”

E é justamente isso que ela faz, todos os dias: devolve ao espelho o reflexo que a vida, por um instante, havia negado.

Dra. Clarice Abreu é médica cirurgiã plástica ecraniomaxilofacial com mais de 20 anos de atuaçãona me
dicina e 12 anos de sólida formaçãoacadêmica no Brasil e no exterior. Reconhecida porsua habilidade em cirurgias reparadoras complexas,especialmente em crianças, ela se destaca por unirtécnica de excelência com um olhar humanizado, característica essencial em casos de alta complexidade.
Graduada em Medicina pela UERJ, com residênciasem Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica, Dra. Clariceconcluiu sua formação avançada em cirurgiacranio maxilofacial com passagens por centros deexcelência nos Estados Unidos, Holanda, Suíça, França e Inglaterra. Seu desempenho sempre foiacima da média, terminando o curso regional de Cirurgia Plástica do Rio de Janeiro em primeiro lugar. Além da atuação no setor privado, coordena ocentro de malformações do Hospital Vitória (Complexo Americas) e lidera cirurgias reparadoras no Hospital Municipal Nossa Senhora do Loreto e no Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, sendo referência em cirurgia plástica pediátrica no sistema público. Entre suas conquistas mais emblemáticas estão três cirurgias de separação de gêmeos craniópagos, realizadas no Rio de Janeiro e em Abu Dhabi. Com presença significativa nas redes sociais, Dra. Clarice utiliza suas plataformas digitais como ferramenta deeducação em 
saúde, esclarecendo dúvidas sobre cirurgias estéticas, reparadoras e craniomaxilofaciais. 
Mesmo com amplo reconhecimento técnico, ela também se dedica a ampliar a visibilidade de suaespecialidade no Brasil, onde muitas malformações cranianas ainda são tratadas de 
forma limitada, sem o envolvimento adequado do cirurgião craniomaxilofacial.

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