Você sabe quem é Elie Horn? Não se preocupe se a resposta for um “não” firme e sem titubeios, a maioria de nós também não saberia dizer. E não é por falta de importância. Para mostrar isso, deixo a pergunta um pouco mais familiar: você já ouviu falar da Construtora Cyrela? Ah, agora sim, talvez seus olhos tenham se acendido com o reconhecimento de um nome presente em anúncios, placas de obras e fachadas modernas. Curioso, não é? Sabemos da marca, mas não do homem.
Como um mago operando nos bastidores, Elie Horn construiu impérios de concreto e solidariedade sem alarme, deixando pegadas fundas em lugares onde quase ninguém olha. Talvez esteja na hora de prestar mais atenção.
Essas perguntas aparentemente simples revelam algo mais profundo, talvez esteja na hora do Brasil pensar o que, de fato, significa “grandeza”. Porque, enquanto o mundo inteiro se levanta em aplausos (e com toda razão) para nomes como Bill Gates e Warren Buffett, por suas impressionantes fachadas filantrópicas, há um brasileiro que, longe dos holofotes, vem traçando uma trajetória tão generosa quanto
a deles. Uma história que deveria aparecer em manchetes, mas segue sussurrada. Elie Horn
deixou uma marca silenciosa, porém colossal, no mapa da solidariedade mundial e é hora de
acendermos a luz sobre ela.
Elie Horn é mais do que um empresário bem-sucedido. Ele é, sem exagero, uma potência social em movimento. Fundador da construtora Cyrela, um império do setor imobiliário, ele tomou uma decisão que, para muitos, parece absurda: doar 60% de toda sua fortuna. Sim, você leu certo. Sessenta por cento! Mas o mais surpreendente nem é isso. O espanto maior talvez seja o fato de que um único homem, sozinho, doa proporcionalmente mais que muitos países inteiros da América Latina investem
em inclusão e desenvolvimento social.
Isso é quase uma provocação... como aceitar que a história de Elie Horn nos faça questionar se, afinal, um único homem pode valer mais que um orçamento público? A ideia simples de que um empresário consiga fazer mais pelo povo do que o próprio Estado é, à primeira vista, como heresia política. Mas então vêm os números, frios e impassíveis, e sussurram verdades difíceis de ignorar. Em boa par-
te da América Latina, os investimentos sociais caminharam a passos curtos, quase estagnados. O Brasil, por exemplo, tem destinado cerca de 0,5% do seu PIB às políticas públicas de assistência social. Um número que, apesar de parecer expressivo, muitas vezes se perde em um labirinto de burocracia, má gestão e prioridades que trocam o essencial pelo urgente, e o justo pelo conveniente, fazendo com que o real benefício ao cidadão seja uma pequena parcela desse montante.
Agora coloque tudo isso em perspectiva: Elie Horn, enquanto pessoa física, sem ministérios,
sem gabinetes, sem holofotes, comprometeu-se a doar uma parte significativa de sua fortuna bilionária. Não pediu aplausos, não subiu em palanques, não fez pose para fotos ao lado dos governantes. Não houve discursos inflamados, nem propagandas estampadas em outdoors. Sua generosidade é silenciosa, mas certa. Estratégica, intencional, como um feitiço lançado com precisão para atingir exa-
tamente onde a dor pulsa mais forte: crianças em situação de risco, escolas que lutam para existir, comunidades mergulhadas na pobreza extrema, grupos historicamente excluídos. E tudo isso é com um detalhe que poucos se dão conta, ele faz rápido, sem a lentidão crônica das estruturas públicas. Elie Horn faz com agilidade, como quem sabe que o tempo também é uma forma de justiça.
Enquanto os governos muitas vezes se movem como enormes navios tentando fazer a curva em pleno mar aberto — lentos, pesados, reféns da própria estrutura, Elie Horn era como um jato de última geração. Rápido, preciso, eficiente. Onde o Estado hesitou, ele já pousou. Onde a máquina pública debate, ele já entregou. Sua atuação tem algo de coreografado: não há desperdício de tempo, nem
de intenção. Ele vai direto ao ponto como quem entende que, quando se trata de vidas humanas, cada segundo é importante.
Quando falamos de filantropia em escala épica, nossa mente costuma embarcar numa viagem automática rumo a um panteão já consagrado: Gates, Buffett, MacKenzie Scott, George Soros. Nomes que pilotam a Fórmula 1 da generosidade com a precisão de quem faz curvas impossíveis parecerem retas suaves. São os magos da doação, sempre à frente, sempre em alta rotação. Mas então, quase
como um encantamento fora do roteiro, surge Elie Horn. Discreto, brasileiro, nascido no calor remoto do Sudão, ele entra na pista sem estardalhaço, ajusta o capacete da humildade, acelera com a força de quem carrega intencionalmente, e, sem alarde, conquista seu lugar entre os grandes. É nesse instante que algo em nossa lógica se embaralha. Porque, sejamos francos... como é possível que, com a
justiça que temos no Brasil, esse país de contradições, ruídos e silêncios, brote um nome que faz tanto pelo próximo, e com tão pouco barulho?
Elie Horn não apenas faz, ele acredita. Foi o primeiro brasileiro a assinar o Giving Pledgepor, o compromisso criado por Bill Gates e Warren Buffett para incentivar bilionários a destinarem ao menos metade de suas fortunas, ainda em vida, a causas que realmente importam. Mas sua assinatura não foi movida por vaidade, nem por holofotes, muito menos por pressão de pares. Foi por algo raro e poderoso: verdade. Porque, nas palavras do próprio Horn, “quem tem muito, tem a obrigação moral de fazer muito”. E por ele, isso é menos como um lema e mais como um feitiço antigo, capaz de reencantar o significado verdadeiro da palavra riqueza.
E, ainda assim, falam mal de pessoas como eles. Por quê? Talvez a resposta seja mais uma
velha combinação de ingredientes: um pouco de ignorância, uma boa dose de desconfiança e aquela dificuldade crônica que os seres humanos têm de lidar com o sucesso alheio. Há quem acusou esses empresários filantropos de tentarem “lavar a consciência” ou de usarem a generosidade como uma jogada de marketing disfarçada. A ironia, no entanto, é quase poética: muitos desses críticos nunca
doaram sequer um centavo — nem tempo, nem dinheiro, nem um pingo de esforço —para tornar o mundo ao redor minimamente melhor. Crítica de longe, como quem observa a partida sem nunca ter chutado uma bola.
É como se um piloto de Fórmula 1 fosse criticado por correr rápido demais, para ousar desafiar os limites da física, para provar que é possível vencer com coragem e audácia. Elie Horn, nesse cenário, não está apenas fazendo o bem, está fazendo um exemplo. Um gesto que vai muito além da cifra. Ele oferece ao mundo uma rota alternativa, quase secreta, de ação direta. Um caminho em que a trans-
formação social não precisa esperar por um edital, nem tropeçar em licitações infinitas. Ele mostra que é possível agir agora, com intuição, agilidade e propósito. E isso, talvez, seja o que mais incomoda.
No fim das contas, estamos falando de seres humanos, com falhas, sonhos e escolhas, pessoas que, mesmo assim, ainda conseguem mostrar que é possível mover o mundo em uma direção melhor e inspiradora. E talvez, diante disso, o que nos resta seja uma certeza serena, quase sagrada: pessoas como Elie Horn são como raras em meio à neblina densa da desigualdade. Iluminam caminhos que antes eram distantes demais, inacessíveis demais. E nos lembram com gestos, não discursos, que um único indivíduo, quando age com consciência, recursos e verdadeira intenção, pode gerar ondas tão profundas quanto às maiores políticas públicas de um continente. E, por vezes, até mais sólidas, mais certas, mais humanas.
Eles provam que sim, uma pessoa só pode, fazer uma diferença absurda no mundo. E mais: podem fazer isso em silêncio, com humildade, com foco. Porque a verdadeira grandeza não precisa de palco. Ela não faz barulho. Ela se transforma.
OUTROS BILIONÁRIOS NA FILANTROPIA
GEORGE SOROS
É um investidor bilionário e filantropo que já doou US$ 32 bilhões a organizações sociais.
Em 1979, começou oferecendo bolsas de estudo para estudante da África do Sul durante o Apartheid.
Em 1984, fundou a Open Socieity Fundations, uma ação não governamental que apoia a democracia, os direitos humanos, a saúde, a educação e a cultura. 2023 , a instituição doou mais de R$ 150 milhões a ONG’s brasileiras. Em dezembro de 2024, ele atingiu um patrimônio líquido de US$ 7,2 bilhões.
BILL GATES
É um dos maiores filantropos do mundo, doando mais US$ 100 bilhões para causas sociais. Ele e sua esposa Melinda criaram, em 2000, a Fundação Bill&Melinda Gates. Gates acredita que a filantropia é uma responsabilidade de quem possui grandes fortunas e prometeu doar a maior parte da sua riqueza por meio do Giving Pladge, que ajudou a lançar em 2010. Sua fundação é considerada uma das maiores do planeta e ele utiliza a sua influência para mobilizar líderes globais e promover o debate
sobre questões climáticas e desenvolvimento sustentável.
WARREN BUFFET
É considerado um dos 10 bilionários dos EUA com a maior pontuação no índice de filantropos
pela Forbes.
A herança da sua mulher, falecida em 2004, estimada em US$ 6,2 bilhões foi para a fundação Buffett.
Em 2006, anunciou que doaria 85% da Berkshire Hrthaway para cinco fundações de caridade.
O empresário de 94 anos, junto com Bill Gates, lançaram em 2010, a campanha “ The Giving
Piedge”, convidando bilionários a doar pelo menos metade de suas fortunas para caridade.
Em 2023, doou mais de US$ 51 bilhões para as causas de Saúde Pública, Educação e Reforma
Fiscal.
MACKENZIE SCOTT
É uma autora, ativista, empresária e filantropa.
Em junho de 2020, foi considerada a 22a pessoa mais rica do mundo, calculada em US$ 38 bilhões.
Neste mesmo ano, assinou com a Giving Pledeg, se comprometendo a doar metade da sua fortuna para caridade.
“É genial festejar o sucesso, mas é mais importante aprender com as lições do fracasso” Bill Gates
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