Do barro moldado pelas mãos, queimado pelo fogo e transformado em permanência. Antes de ser rota, paisagem ou destino turístico, o município de Cunha é gesto — um gesto ancestral que atravessa gerações e faz da cerâmica de alta temperatura não apenas uma arte, mas uma identidade. Cada peça saída dos fornos carrega o tempo da serra, o silêncio da Mata Atlântica e a paciência de quem compreende que as coisas duráveis não se fazem com pressa.
Não é por acaso que Cunha foi reconhecida como Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura. Aqui, o barro virou linguagem, economia e convite. Convida o visitante a ficar mais um dia, o artesão a permanecer, o jovem a descobrir que o futuro também pode nascer do que é feito à mão. A cerâmica não adorna a cidade; ela a sustenta, dá forma ao turismo, movimenta o comércio e ancora uma economia que cresce sem romper suas raízes.
É a partir desse espírito, firme como a argila depois do fogo, que se desenha a Cunha do presente e do futuro: uma cidade que escolheu crescer sem perder a alma, sob a liderança de uma gestão que entende que desenvolvimento verdadeiro não se impõe; constrói-se, camada por camada, com escuta, pertencimento e respeito àquilo que torna o lugar único.
Podemos dizer que o crescimento das cidades obedece a dois modelos: o primeiro é o das que crescem para fora do seu centro.
As outras, mais raras, crescem para dentro de seus limites, fortalecendo sua identidade antes de expandir suas fronteiras.
Guardiã silenciosa
Cunha, no coração da Serra do Mar e conhecida como guardiã silenciosa da Mata Atlântica, parece ter escolhido o segundo caminho. E é exatamente nessa escolha que se desenha o eixo central da atual gestão municipal, liderada pelo prefeito Rodrigo do Neto.
Ao falar de futuro, o prefeito não recorre a promessas grandiosas ou slogans vazios. Seu discurso é de quem compreende que desenvolvimento, quando verdadeiro, precisa ser sustentável, consciente e humano.
A Cunha que se projeta até 2028 é uma cidade que amplia seu potencial turístico sem violentar a paisagem; que gera emprego sem romper laços comunitários; que cresce sem perder a alma.
Quando assumiu a Prefeitura, o diagnóstico foi direto e desafiador: estruturas fragilizadas, equipamentos sucateados, unidades de saúde e escolas exigindo atenção imediata. O primeiro movimento não foi acelerar obras visíveis, mas reorganizar a casa: uma reforma administrativa pontual, a revalorização do meio ambiente como eixo estratégico e, sobretudo, uma mudança silenciosa, porém poderosa, na forma de governar — mais escuta, mais presença, mais proximidade com a população e com os servidores públicos.
Cunha sempre foi privilegiada por sua geografia e vocação. Localizada entre o interior e o litoral, com uma riqueza natural que salta aos olhos, a cidade carrega um potencial turístico que vai além da sazonalidade.
O desafio, segundo o prefeito, é transformar esse encanto em desenvolvimento econômico contínuo, e isso só é possível quando o poder público caminha ao lado da iniciativa privada. Nenhum prospera sozinho. É na parceria que se constroem políticas que permanecem.
Esse princípio se reflete também na infraestrutura. Em um município de forte vocação rural, estradas, máquinas e logística não são detalhes; são condições de sobrevivência. Com poucos recursos próprios, a gestão buscou apoio nos governos estadual e federal, recuperou equipamentos, reativou oficinas, planejou intervenções e, principalmente, envolveu os moradores nas soluções. O resultado não veio de um gesto isolado, mas de uma soma de esforços. E o horizonte de 2026 aponta para avanços ainda mais consistentes nesse campo.
Programa Universaliza
Entre todas as frentes, uma se destaca como verdadeira virada de chave: o saneamento básico. Mais do que uma obra, trata-se de um projeto estruturante que toca saúde, turismo, educação e qualidade de vida. Cunha ingressou no programa Universaliza, do governo estadual, e simultaneamente busca financiamentos em diferentes frentes. A proposta é clara: criar uma autarquia municipal, mantendo o controle local do serviço, garantindo eficiência, capacidade de investimento e uma tarifa justa, sem lógica de lucro, mas também sem desequilíbrio financeiro.
O projeto está em fase de estudos técnicos, etapa essencial para que o futuro seja sólido.
O turismo, por sua vez, deixou de ser apenas fluxo para se tornar política pública estruturada. A cidade investiu em comunicação, criou uma diretoria específica, fortaleceu o diálogo com empresários, com a associação comercial, com a Cunhatur e com o Conselho Municipal de Turismo. O resultado aparece no aumento da permanência do visitante, na geração de empregos e na circulação de renda local. Cunha deixou de ser apenas destino; passou a ser experiência.
A capacitação da população acompanha esse movimento. Em parceria com o Estado, a iniciativa privada e, especialmente, com o Sebrae, a Prefeitura promove cursos para jovens, adultos e até para o público 60+, entendendo que formação é a engrenagem invisível do desenvolvimento. Quando as pessoas aprendem, empreendem. Quando empreendem, permanecem.
Nesse cenário, o agroturismo desponta como a grande vocação integradora. Cunha é rural por essência: leite, queijo, criação, produção artesanal. Unir esse patrimônio à experiência turística não apenas fortalece a economia, como preserva o modo de vida local. É essa “indústria silenciosa” que a gestão escolheu priorizar.
A cultura, especialmente a cerâmica de alta temperatura, ocupa lugar central nesse projeto de cidade. Reconhecida oficialmente como Capital Nacional da Cerâmica, Cunha transformou esse legado em ativo econômico. O Festival da Cerâmica, que reuniu milhares de visitantes, a reativação do Instituto de Cerâmica, a formação de novos artistas e o anúncio do Museu Municipal da Cerâmica consolidam uma estratégia clara: preservar, ensinar e projetar. A cerâmica não é passado; é futuro moldado pelas mãos da cidade.
Crescer, porém, exige limites. A revisão do Plano Diretor, após duas décadas sem atualização, é o instrumento escolhido para garantir que o desenvolvimento não destrua aquilo que o torna possível. Ordenamento territorial, gestão de resíduos e educação ambiental entram em pauta como compromissos de longo prazo, especialmente em um dos maiores municípios do estado em extensão territorial.
Na saúde, o foco não está apenas em prédios, mas em humanização. Na educação, não apenas em tecnologia, mas em pedagogia. A implantação da primeira escola de tempo integral marca um passo decisivo rumo a uma formação mais completa, com impacto direto no futuro econômico e social da cidade.
A gestão acompanha indicadores, especialmente os do Tribunal de Contas, como bússola para decisões. Faz mais com menos, monitora contratos, cobra resultados e busca recursos onde eles existem: nas emendas parlamentares, independentemente de bandeiras partidárias. Em 2025, quase R$ 14 milhões chegaram ao município por esse caminho, prova de articulação institucional e pragmatismo administrativo.
Os projetos âncora são claros: saneamento, estradas rurais e qualificação dos espaços urbanos e turísticos. Tudo isso para tornar Cunha mais bonita, mais acolhedora e mais funcional.
Ao final, a mensagem do prefeito é simples e poderosa. Aos empreendedores: que venham aqueles que respeitam a identidade local, geram empregos e criam vínculos. Aos moradores: que torçam pela cidade, acima de partidos. Aos visitantes: que venham, voltem, divulguem e desfrutem.
Cunha não está apenas crescendo. Está se construindo com consciência. E, como toda boa história, seu futuro começa com uma escolha: a de não perder quem é enquanto decide para onde vai.
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