Monique Curi não é apenas uma atriz que cresceu diante das câmeras. Ela é também jornalista, escritora, palestrante, influenciadora e, sobretudo, uma mulher que escolheu parar de esperar. Com uma trajetória que começou aos três anos, em comerciais de TV, e se desdobrou em novelas, telejornais, podcasts e palcos de palestras pelo Brasil, Monique é hoje a voz de muitas mulheres que, assim como ela, entenderam que sempre é tempo de recomeçar.
“Aos 50 anos, quando veio a menopausa, eu pensei: ‘Tô velha, não dá mais tempo.’ Mas aí eu entendi que todo esse etarismo, todo esse preconceito, estava na minha cabeça. Era eu que estava me dizendo que não dava mais”, conta, sobre o momento que transformou sua vida. Foi a partir dessa desconstrução interna que nasceu o canal no YouTube; depois vieram as redes sociais, o TED Talk, o livro, as palestras — e, com tudo isso, uma comunidade de mulheres inspiradas por sua autenticidade.
Seu livro, A Virada de Chave: o dia que eu parei de esperar, rapidamente se tornou um sucesso. “Eu entendi que precisava parar de esperar o telefone tocar, parar de esperar que a felicidade viesse de fora. Eu tinha que virar a chave e ser responsável pelas minhas escolhas”, afirma. A obra é interativa, com espaços para anotações, reflexões e planos. É um convite direto à ação, e Monique recebe, quase diariamente, mensagens de mulheres dizendo que o livro transformou suas vidas.
No podcast Virada de Chave, ela amplia esse diálogo. Um dos episódios mais marcantes, segundo ela, foi a entrevista com Jéssyca Oliveira, uma jovem de 19 anos que, após complicações de uma meningite meningocócica, perdeu braços, pernas e a audição. “Ela tinha 1% de chance de sobreviver e é genuinamente feliz. Aquilo mexeu comigo e com todo mundo que ouviu”, lembra, emocionada.
Nas palestras, que faz por todo o país, Monique encontra mulheres que dedicaram a vida à família, enfrentam casamentos mornos, cuidam de pais idosos e, aos 50 anos, se perguntam: “É isso que eu quero continuar fazendo?”. O medo, a dependência financeira e a ausência de apoio travam muitas dessas histórias. “Mas eu mostro que cada uma tem força dentro de si para mudar. Basta coragem e ação”, garante.
Como influenciadora e embaixadora de marcas, ela preza pela coerência. “Eu só aceito parcerias com marcas que eu realmente uso. Já recusei trabalhos porque não combinavam comigo. Eu não posso perder minha verdade nem a confiança da minha comunidade”, explica.
Mesmo com tantos papéis — no palco, na escrita, nas redes —, a Monique atriz ainda vive forte dentro dela. “Vou ser atriz até o último dia da minha vida. Minha formação artística me ajuda demais no que faço hoje. Subir num palco, encarar uma câmera, tudo isso é natural para mim. Se eu não fizesse bem, podia desistir, né?”, brinca.
No plano pessoal, Monique é casada há 25 anos com Leonardo e é mãe de Victória, de 22 anos, e de Théo, de 19. A família é seu porto seguro. “Estar com eles é o melhor da vida. E, quando preciso me reconectar, recorro à atividade física. É meu momento de terapia comigo mesma, de endorfina, de reflexão”, revela.
Sobre envelhecer, ela é direta: “A sociedade é etarista, sim. Mas o preconceito começa dentro da gente. A gente é que se acha velho. Uma mulher de 50 pode viver mais 40 anos. Não dá mais tempo para quê?”. Monique defende que a idade não define ninguém. O que importa são os sonhos, a disciplina, a coragem e a vontade de se reinventar — mesmo que isso exija esforço.
“Tudo na vida dá trabalho. Mas também dá oportunidade”, afirma Monique, com convicção.
E, se pudesse deixar uma frase escrita em uma vitrine para que todas as mulheres lessem, ela diria:
“Todos os dias você tem a oportunidade de fazer uma escolha que pode transformar a sua vida. O que você tem feito para chegar aonde quer? E o que você tem dito para você mesma que a impede de fazer essa escolha?”.
Ao final da entrevista, não é difícil entender por que tantas mulheres se veem em Monique. Sua fala firme e generosa, o olhar que mistura força e vulnerabilidade, a coragem de dizer que teve medo, mas foi mesmo assim — tudo nela inspira. E, cá entre nós, também emociona. Porque a virada de chave de Monique Curi é, no fundo, um convite para todas nós virarmos a nossa.
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