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Natividade da Serra: A Cidade que Renasceu da Água E o Prefeito Que Escolheu Reconstruir A Própria História.

Redação
Por: Marcelo Gusmão
13/01/2026 às 17:00 Atualizada em 10/03/2026 às 20:15
Natividade da Serra: A Cidade que Renasceu da Água E o Prefeito Que Escolheu Reconstruir A Própria História.

Um município que viu sua história submergir em 1973 hoje reencontra suas raízes através da memória,
da educação e do turismo sustentável, sob a gestão sensível e estratégica do prefeito Evail Augusto.

Uma cidade marcada por perdas e renascimentos

Natividade da Serra é uma daquelas cidades que guardam cicatrizes como quem carrega testemunhos. Encravada entre montanhas, dona de um silêncio que parece conversar com quem chega, ela já viu seu território se desfazer e se refazer diante dos próprios olhos. Em 1973, quando o reservatório do Paraibuna tomou forma, a população assistiu à submersão de quase tudo que sustentava sua vida agrícola. Famílias se espalharam, lares foram transferidos para outras cidades e apenas 4.500 moradores permaneceram. Hoje, esse número já ultrapassa 7 mil, um crescimento que revela mais que estatística: evidencia uma vocação para recomeçar.

O historiador que governa com a memória

É nesse cenário que atua o prefeito Evail Augusto, pedagogo e historiador que conhece a cidade não apenas por documentos e mapas, mas pela memória viva de quem a viu resistir. Ele descreve Natividade como um município que “quase deixou de existir”, mas que encontrou caminhos para reencontrar sua identidade. Talvez por isso sua gestão coloque tanta energia em preservar
o passado — não como peso, e sim como patrimônio. O projeto das quatro “Casas de Memória”, distribuídas entre a sede e bairros estratégicos, nasce desse desejo de eternizar histórias que, durante décadas, ficaram guardadas apenas na voz dos antigos moradores. Uma delas será inteiramente dedicada à inundação de 1973, para que visitantes entendam a mudança radical que moldou
a cidade atual.

Educação como base para novos horizontes

Se o passado ressurge como peça-chave, a educação aparece como fio condutor desse novo capítulo. Evail investe 28% do orçamento municipal na área, um percentual raro até mesmo entre cidades maiores. Escolas novas, merenda reforçada, uniformes para todos e obras aguardadas há mais de uma década simbolizam esse movimento. Os prêmios estaduais e federais apenas confirmam o que os indicadores já mostram: quando a educação é tratada como prioridade, a cidade aprende a sonhar diferente.

O desafio de manter os jovens em Natividade

E esse sonho passa, inevitavelmente, pela permanência dos jovens. Com mais de 2.000 propriedades rurais registradas e um território que ultrapassa 800 km2, Natividade sempre foi marcada pela vida no campo. Agora, porém, ganha novos horizontes com o polo da Univesp, cursos profissionalizantes e possibilidades de formação que dispensam o deslocamento para outras cidades.

Evail reconhece que não basta oferecer estudo, é preciso criar motivos para ficar. O turismo surge, então, como promessa e caminho.

Cambuci, natureza e uma marca em construção

É impossível falar de turismo em Natividade sem mencionar o cambuci, fruta nativa da Serra do Mar que transformou o município na capital estadual — e, na visão do prefeito, também mundial — da espécie. Entre receitas, festivais, licores e pesquisas culinárias, o cambuci começa a se consolidar como marca da cidade. Mas não é só ele que impulsiona a vocação turística: trilhas, monta-
nhas, corridas, motociclismo e ciclismo oferecem ao visitante um ecoturismo de aventura
sem degradação ambiental. A rota turística religiosa, que ligará Pouso Alto ao Santuário Nacio-
nal de Aparecida, promete colocar Natividade no mapa de romeiros e viajantes do país inteiro.

Infraestrutura que abre caminhos para o desenvolvimento

Isso tudo exige infraestrutura — e ela está chegando. As obras se multiplicam: escolas e posto de saúde na Vargem Grande, iluminação no Mirante Júlio Montella, pavimentações urbanas e rurais, uma ponte estruturante no Rio Bonito, a ampliação da Câmara e dezenas de trechos de acesso sendo revitalizados com pavimento permeável, respeitando o solo e o escoamento natural das chuvas. Para um município que possui mais de 1.200 km de estradas rurais, cada metro pavimentado não é luxo: é dignidade, acesso e desenvolvimento.

Modernização, participação e proximidade com o cidadão

Evail também sabe que uma cidade do tamanho de Natividade precisa modernizar seus processos. O protocolo digital, o novo site municipal e a comunicação ativa nas redes são passos importantes para aproximar governo e cidadão. As audiências públicas realizadas após as 18h, para garantir participação de quem trabalha, mostram um gestor que tenta desenhar políticas com a comunidade, e não apenas para ela.

O grande desafio: saneamento e um novo plano diretor

Ainda há desafios. O maior deles, segundo o prefeito, é o saneamento. Resolver essa questão e aprovar o novo Plano Diretor formam o que ele considera o eixo estruturante para permitir que Natividade avance em saúde, turismo, investimento e qualidade de vida.

O legado que ele deseja deixar

Ao final da conversa, Evail revela o legado que deseja deixar: uma administração guiada pela equidade e pela justiça, onde cada morador tenha a chance real de prosperar. Em uma cidade que já viu suas raízes desaparecerem sob a água, talvez não haja desejo mais simbólico: permitir que todos possam, enfim, fincar seus pés em terra firme — e florescer.

 

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