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Pontes que Ligam Destinos

Redação
Por: Marcelo Gusmão
08/06/2026 às 11:08 Atualizada em 13/06/2026 às 00:54
Pontes que Ligam Destinos

Atravessamos pontes constantemente, alguns de nós todos os dias, quase sempre apressados, distraídos... Não paramos para notar que estamos sobre vigas de aço, retângulos de concreto e cabos que quando olhamos de baixo para cima parecem tocar o céu. Raramente pensamos no que sustenta aquele instante em que o rio se transforma em estrada, em que o vazio se torna passagem. Essas estruturas, silenciosas e firmes, são tão parte do nosso cotidiano quanto o ar que respiramos. E, assim como o ar, só percebemos a sua ausência quando falta, e quando falta, pode ser tarde demais.

No coração desse universo que, embora de tamanho monumental, parece ser invisível ao público, há uma família cuja história se confunde com a própria engenharia das travessias brasileiras. Há décadas, projetam, constroem e reabilitam pontes como quem cuida de heranças sagradas. O avô, pioneiro em tempos de baixa tecnologia, iniciou o caminho em rodovias e falava que “uma ponte não liga apenas margens, liga destinos”. Esse lema atravessou gerações e hoje pulsa no trabalho dos filhos e netos, que transformaram a vocação familiar em empresas de referência nacional: PROCEC Construção Pesada S.A. e ENGEROD Engenharia e Consultoria Ltda.

A trajetória não se mede apenas em datas e contratos, mas em aço, tinta e histórias gravadas na paisagem do país. Eduardo Valeriano cresceu entre cálculos e pincéis: o pai, engenheiro e artista, pintava belos quadros que parecem ter vida; a mãe, professora, também enveredava pelo caminho da arte, mas com vocação para a louça e todos cultivam no lar o hábito do estudo como quem tem prazer em regar um jardim; pais e filhos, todos professores. O irmão Ricardo assinaria um livro técnico tão preciso quanto as estruturas que projetavam. Na sede da empresa, um belo prédio foi erguido como homenagem à mãe, Heloisa Valeriano, a arquitetura reflete o mesmo equilíbrio entre funcionalidade e beleza que norteia o trabalho da família refletindo a rara palavra amor entre pais, filhos e netos.

Três gerações moldadas pela curiosidade acadêmica e pela sensibilidade artística construíram um legado de concreto e confiança. Eduardo descobriu sua vocação ainda no terceiro ano da faculdade, lapidou seu ofício em um dos escritórios de pontes mais conceituados do país, logo após em 1991, fundou com seu irmão Ricardo Valeriano sua própria empresa. Ao contrário da maioria, optaram por um modelo horizontalizado: projetar, construir e reabilitar; tudo sob o mesmo teto. Essa integração garante que quem idealiza o projeto também seja responsável por mantê-lo de pé, evitando erros, reduzindo custos e preservando vidas.

Empresas especializadas e capacitadas, como a dirigida pela família Valeriano, têm papel estratégico na preservação da segurança, da mobilidade e da economia nacional.

O Brasil possui uma das maiores malhas rodoviárias do mundo, com aproximadamente 200 mil pontes e viadutos, fundamentais para a integração territorial e o escoamento de produção. Entretanto, a manutenção dessas estruturas é frequentemente prejudicada devido aos recursos públicos serem muito menores do que o necessário, resultando em riscos operacionais e socioeconômicos significativos.

O setor tem uma severa limitação de recursos adequados investidos em manutenção preventiva que leva a custos muito superiores em reparos emergenciais, além de comprometer a segurança de usuários e operadores logísticos. Isso não é culpa dos técnicos e dirigentes dos órgãos, embora ela acabe caindo sobre eles na maior parte das vezes.

Valeriano iniciou sua carreira atuando por dez anos em um dos mais renomados escritórios de pontes do país e, desde 1991, dirige empresa especializada em construção e reabilitação de pontes, segmento este que exige competências técnicas diferenciadas à construção de estruturas novas. Entre as especializações destacam-se as construções de pontes em balanços progressivos sem escoramentos tradicionais. Na reabilitação de pontes é frequente a suspensão de vãos inteiros com mais de 400 toneladas para substituição de aparelhos de apoio e reforço de superestruturas colapsadas. 

Ao contrário de muitas empresas do setor, a organização liderada por Valeriano atua de forma integrada, abrangendo desde a elaboração do projeto até a execução, garantindo rastreabilidade, padronização e qualidade em todas as etapas. Essa abordagem minimiza falhas de comunicação, otimiza custos e aumenta a eficiência operacional.

A empresa também possui experiência em obras emergenciais de alto risco, com atuação em estados como Acre e Amazonas, muitas vezes em condições de difícil acesso e restrições logísticas severas.

O número reduzido de empresas com capacidade técnica para executar obras de grande complexidade é um fator crítico. Licitações importantes ficam frequentemente desertas, seja por ausência de mão de obra especializada, seja por alto grau de risco envolvido. Essa carência amplia o tempo de resposta a demandas emergenciais e potencializa os riscos de interrupções logísticas e acidentes.

No contexto atual é fácil verificar que o país ainda caminha na engenharia de pontes para torná-la um pilar estratégico para a economia e a segurança nacional, o que se reflete em investimentos constantes, embora insuficientes. Nota-se uma intenção de melhorias com o trabalho contínuo que o país faz de integração territorial com rodovias e pontes. Esse é um trabalho muito grande e de custo elevado.

O setor em que atuam, mesmo que o produto do seu trabalho seja de tamanho colossal, é injustamente pouco percebido, mas absolutamente vital. Uma ponte segura mantém o fluxo de mercadorias, preserva empregos e garante segurança a milhares de pessoas todos os dias. A ponte quando falha, pode se transformar em ameaça, gerando prejuízos milionários ou tragédias humanas. É nesse ponto crítico que entram as soluções da família Valeriano: drones para inspeção, sensores para provas de cargas, modelos tridimensionais até chegar a treliças de grandes dimensões e macacos hidráulicos de elevada capacidade para o enfrentamento dos problemas estruturais.

Um detalhe muito importante, que deve servir como grande alerta, é que quando uma ponte é interrompida, mesmo que o vão seja de pouco mais de 50 metros, os motoristas são obrigados a percorrer quilômetros adicionais para concluir sua viagem. Esse desvio representa não apenas um prejuízo financeiro expressivo para transportadoras e viajantes, mas também um impacto qualitativo: cansaço físico, aumento do estresse, maior exposição a riscos nas estradas e atrasos que comprometem vidas e negócios. Cada quilômetro extra pode significar menos horas com a família, mais fadiga ao volante e maior probabilidade de acidentes. O custo, portanto, não se mede apenas em cifras, mas no desgaste humano e social.

E não importa o tamanho da obra, seja uma travessia monumental sobre um grande rio ou uma ponte rural modesta, o cuidado é o mesmo. Ao longo dos anos, a equipe já salvou estruturas à beira do colapso, reconstruiu passagens destruídas por enchentes e executou intervenções complexas.

O reconhecimento ultrapassa fronteiras. Projetos conduzidos pela empresa foram destacados pelo IABSE — Instituto Internacional de Engenharia de Pontes, um dos institutos mais prestigiados do mundo, reforçando a presença do Brasil no mapa de boas soluções de engenharia. Este é o caso da recente restauração da ponte do Desengano, transpondo o rio Paraíba do Sul entre Valença e Vassouras, executada com aço igual ao da Torre Eiffel e inaugurada por Dom Pedro II. A ponte foi recuperada sem uso de soldas e com protensão de estrutura metálica, o que é pouco comum, em um trabalho de precisão milimétrica e respeito absoluto à história da obra.

Enquanto o mercado brasileiro é composto por empresas de consultoria que atuam na etapa do projeto e empresas de construção que atuam na etapa das obras, a PROCEC e a ENGEROD percorrem todo o ciclo de vida da ponte, do traço inicial até construção completa ou reabilitação. Um modelo singular que garante coerência técnica e responsabilidade integral.

O público talvez nunca saiba seus nomes ou veja de perto o trabalho que realizam. Mas, toda vez que cruzar uma ponte segura, poderá estar passando por mais do que uma obra de engenharia: estará atravessando um legado de três gerações, sustentado por técnica, tradição e compromisso silencioso com o país.

Porque, no fim, pontes não são apenas estruturas.

São elos que ligam pessoas e sonhos.

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