O sucesso raramente segue um caminho linear. Para alguns, ele é o resultado de planilhas, estratégias e metas meticulosamente traçadas. Para outros, como Sérgio Zimerman, fundador e CEO da Petz, o sucesso é uma jornada repleta de intuição, quedas, reinvenções e — acima de tudo — propósito.
Nascido no tradicional bairro do Brás, em São Paulo, em uma família de empreendedores, Zimerman se define como um empreendedor nato. E basta ouvir sua trajetória para entender por quê. Ainda jovem, ele decidiu investir em algo inusitado: usou o dinheiro do seguro de um carro que havia perdido em um assalto para comprar uma fantasia de palhaço. Assim nasceu o “Salsicha”, personagem com o qual animava festas infantis nos fins de semana. O carisma e a habilidade com o público abriram caminho para o que viria a ser seu primeiro negócio: um buffet infantil, que realizou mais de 4 mil eventos. Ali, aprendeu a observar comportamentos, identificar necessidades e entregar experiências — lições fundamentais que mais tarde aplicaria ao fundar e liderar a maior rede de pet shops da América Latina.
O caminho até a Petz, no entanto, passou por outras tentativas. Em 1991, ele criou um atacado de alimentos que chegou a faturar R$ 15 milhões por mês. Mas com o descontrole da inflação e os juros altos da época, a empresa acabou não resistindo. Foi no meio dessa turbulência que surgiu a fagulha para um novo recomeço.
Ao visitar uma loja da Cobasi, se encantou com o conceito de pet center — espaços amplos, bem iluminados, com grande variedade de produtos e serviços para pets — algo bem diferente do que se via até então. Mas a ida à loja só aconteceu por conta de uma conversa com seu então cunhado, que produzia shampoos para cães e sugeriu que Sérgio entrasse no mercado pet, que ainda engatinhava no Brasil. A ideia acendeu uma luz. Entusiasmado com a possibilidade, decidiu procurar a Cobasi para tentar abrir uma franquia. Não foi atendido. A recusa, que poderia desanimar qualquer um, serviu como combustível. Anos depois, fundaria a própria marca, a Petz — que cresceria de forma vertiginosa. Mais de duas décadas depois, em um movimento surpreendente e simbólico, anunciaria a fusão bilionária entre as duas empresas. Um ciclo que se fecha com força, estratégia e, acima de tudo, com muito significado.
Em 2002, o empresário comprou um ponto na Marginal Tietê, em São Paulo, e abriu a primeira loja da Pet Center Marginal (nome original da Petz). Com apenas R$ 2 mil de faturamento nos primeiros meses, ele precisou ousar. A estratégia? Levar um tigre, em uma jaula, para a frente da loja por 12 domingos consecutivos. A ideia viralizou (muito antes das redes sociais existirem), e o faturamento saltou de R$ 2 mil para R$ 1 milhão em apenas nove meses.
Mas Sérgio sabia que crescimento sustentável exigia mais do que criatividade. Ele investiu em estrutura, cultura organizacional e, sobretudo, em pessoas. Com estilo de liderança informal, faz questão de conhecer os colaboradores e oferecer feedbacks na hora do cafezinho ou durante um almoço, evitando formalismos excessivos. Acredita no poder de servir — liderar, para ele, é escutar, acolher e inspirar. “Não adianta pensar só em lucro, é preciso pensar no impacto que deixamos nas pessoas e no mundo”, costuma dizer.
Ao longo dos anos, consolidou a Petz como uma potência. Em 2020, levou a empresa à B3, com uma valorização de 21% no IPO. Em 2024, anunciou a fusão com a Cobasi, criando um grupo com cerca de 500 lojas e R$ 7 bilhões em faturamento anual — a maior união do setor pet da América Latina.
Nas redes sociais, Sérgio compartilha sua visão de mundo com leveza e sinceridade. Relembra com carinho os primeiros dias da Petz, quando reunia os 35 colaboradores da empresa para tentar atrair clientes com brinquedos infláveis e algodão doce. “Não aparecia ninguém. Mas a gente continuava ali, acreditando”, contou em uma postagem no Instagram, com a autenticidade de quem não esquece suas raízes.
Além de empreendedor, ele é também investidor e figura pública: é um dos Sharks do programa Shark Tank Brasil e foi eleito CEO do Ano pelo Prêmio Consumidor Moderno. Ainda assim, mantém os pés no chão e fala abertamente sobre o desejo de reduzir o ritmo. Planeja encerrar sua carreira executiva em 2026, após 42 anos de trabalho ininterrupto, para se dedicar mais à vida pessoal e aos próprios sonhos. Disciplinado, acorda todos os dias às 5h30, faz esteira em casa e vai à academia antes de começar o expediente. Essa rotina, diz ele, é uma forma de se manter saudável e lúcido — afinal, liderar milhares de colaboradores e transformar um mercado exige energia e equilíbrio.
Sérgio também é um apaixonado por animais. Seu amor pelos pets não é discurso de marketing — é essência. A missão da Petz sempre foi, para ele, mais do que vender produtos: é criar conexões reais entre pessoas e seus animais de estimação, e fomentar o cuidado, o carinho e o respeito por todas as formas de vida.
A história de Sérgio Zimerman nos mostra que um bom negócio nasce da soma entre visão, coragem e empatia. E que mesmo as negativas — como a que recebeu da Cobasi lá no início — podem ser apenas desvios temporários no caminho de algo muito maior. Talvez seja por isso que sua trajetória inspire tanta gente: porque ela fala sobre mais do que sucesso. Fala sobre humanidade. Sobre acreditar, mesmo quando ninguém aparece. E sobre transformar amor em legado.
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