O Encontro de Mulheres Posicionadas não foi apenas mais um evento feminino. Foi daqueles encontros que deixam marcas silenciosas em quem esteve presente. Daqueles que fazem mulheres se olharem de um jeito diferente quando voltam para casa.
Idealizado pela empresária Josy Mendes, em parceria com a Revista VP, o encontro realizado no último dia 24 de abril, no auditório da Procec, na Barrinha, reuniu muito mais do que palestras ou falas inspiradoras. Reuniu verdade. E talvez tenha sido exatamente isso que tornou tudo tão forte.
Em tempos em que tantas mulheres vivem cansadas de precisar parecer fortes o tempo inteiro, o que aconteceu ali foi quase um respiro coletivo. Um ambiente onde dores não precisaram ser escondidas, processos não foram romantizados e recomeços ganharam voz.
Cada mulher que ocupou aquele palco levou mais do que um tema. Levou vivência. Levou cicatriz. Levou posicionamento.
Quando a empresária e cofundadora da Rio Arte Dermatologia e Estética, Lígia Reis, falou sobre autoestima, não se tratava apenas de beleza estética, mas da coragem de voltar a se reconhecer diante do espelho da vida. A nutricionista Laise Souza trouxe uma reflexão profunda sobre identidade, mostrando que corpo e mente caminham juntos. Já a cardiologista Dra. Martha Cardoso levantou um alerta urgente sobre menopausa e saúde cardíaca, tema ainda cercado de silêncio e desinformação.
O encontro também foi espaço para lembrar que oportunidades podem mudar destinos. A CEO do Instituto Reaja Mulher, Kelly Gomes, emocionou ao falar sobre recomeços e sobre a importância de alguém simplesmente decidir estender a mão. Na mesma direção, a missionária e gerente da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda, Kelly Ferreira, reforçou o impacto social que nasce quando portas são abertas para mulheres que precisam reconstruir suas histórias.
Um dos momentos mais sensíveis da tarde veio através da vereadora pelo PL e presidente da Comissão de PCDs, Juventude e Idoso da CMN, Fernanda Louback, ao lembrar que amar e cuidar de alguém não pode significar desaparecer de si mesma. Foi impossível não perceber mulheres se identificando em silêncio.
Também houve espaço para falar de dor sem vitimismo e de superação sem frases prontas. A empresária Flávia Cardoso mostrou que existem dores que não encerram histórias — elas inauguram novas versões de quem sobreviveu.
E talvez um dos temas mais duros, porém necessários, tenha vindo através da pastora e sargento da PMRJ Driely Negrão, ao abordar o feminicídio e a urgência de romper o silêncio que ainda aprisiona tantas mulheres. Não houve espaço para discursos superficiais. Houve verdade. Houve alerta. Houve responsabilidade.
Encerrando o encontro, a líder do movimento “Mulheres Curadas para Curar”, Elisiane Souza, trouxe uma palavra de direção espiritual que transformou o ambiente em algo difícil de explicar para quem não viveu. Porque houve emoção, mas também houve alinhamento. Houve fé. Houve cura acontecendo em detalhes quase invisíveis.
O que se viu no auditório da Procec foi um movimento feminino diferente da superficialidade que tantas vezes domina encontros motivacionais. Não era sobre mulheres perfeitas. Era sobre mulheres reais. Mulheres cansadas, feridas, recomeçando, empreendendo, sobrevivendo, tentando. Mulheres entendendo que posicionamento não é falar alto — é decidir não se abandonar.
E talvez tenha sido justamente por isso que o encontro terminou deixando a sensação de continuidade.
Porque algumas experiências acabam quando as luzes se apagam. Outras começam exatamente ali.
O Encontro de Mulheres Posicionadas terminou às 20h. Mas, para muitas mulheres, alguma coisa importante começou naquele auditório.
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!