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Achismo Não é Estratégia. É Risco Disfarçado de Opinião.

Redação
Por: Marcelo Gusmão
16/04/2026 às 11:36 Atualizada em 05/06/2026 às 12:35
Achismo Não é Estratégia. É Risco Disfarçado de Opinião.

Empresas não travam por falta de esforço — travam porque decidem com base no que “acham”, e não no que sabem.

Ao longo de mais de 20 anos estruturando e expandindo negócios, eu percebi um padrão que se repete com uma frequência impressionante—independentemente do segmento, do porte da empresa ou do nível de faturamento. Empresas não travam por falta de mercado. Elas travam por falta de clareza na forma como decidem. E, na maioria das vezes, essa falta de clareza tem uma origem muito específica:o excesso de decisões baseadas em achismo.

Pode parecer simples, até comum, mas esse é um dos erros mais caros que uma empresa pode cometer. E o mais perigoso:é um erro silencioso.

Ele não aparece no DRE (Demonstrativo de Resultado do Exercício).Não vem destacado em relatórios financeiros.

Não é discutido com a relevância que deveria nas reuniões estratégicas.Mas está presente todos os dias, influenciando decisões, direcionando ações e comprometendo resultados.

Eu já estive dentro de empresas que faturavam bem,que tinham demanda, que tinham equipe, que tinham estrutura…e mesmo assim não conseguiam crescer.

E quando a gente começa a aprofundar,a olhar mais de perto, a resposta aparece de forma muito clara: As decisões não eram baseadas em dados. 

Eram baseadas em opinião.

“Eu acho que o cliente quer isso.”

“Eu acho que esse produto vai vender.”

“Eu acho que precisamos mudar isso.”

“Eu acho que o problema está no preço.”

Se você olhar com atenção,essas frases fazem parte do dia a dia de muitas empresas.E o problema não está em opinar.Opinião faz parte do processo.O problema começa quando a opinião passa a ser o principal critério de decisão.

Porque opinião não é estratégia.

Opinião é percepção.

E percepção, sem validação, é risco.

Baseado na minha experiência profissional, acompanhando empresas em diferentes estágios—desde operações pequenas até negócios em fase de expansão—eu posso afirmar com segurança:o achismo é um dos maiores limitadores de crescimento. E ele não limita porque impede a empresa de andar.Ele limita porque faz a empresa andar sem direção. E andar sem direção,no mundo dos negócios, custa caro. Uma das coisas que mais me chama atenção é como o achismo é confortável. Ele não exige análise.Não exige estrutura.Não exige que o empresário confronte números que podem contrariar aquilo que ele acredita.

É muito mais fácil decidir no “eu acho”.

Mas essa facilidade cobra um preço alto.

Porque toda decisão tomada sem base consistente carrega um risco oculto.

E,com o tempo, esses riscos começam a se acumular.

Segundo o SEBRAE, grande parte das empresas enfrenta dificuldades não por falta de oportunidade, mas por falhas de gestão e tomada de decisão.

Ou seja, o problema, na maioria das vezes,não está fora.

Está dentro.

E quando eu digo isso, não é uma crítica.É um alerta.

Porque muitas empresas continuam operando, continuam faturando, continuam“funcionando”…e isso cria uma sensação de que está tudo bem.

Mas, internamente,a estrutura está frágil.

Processos não são claros.

Decisões são reativas.

Equipes não têm direção.

A operação depende de mais do dono.

E isso gera um cenário que eu vejo com muita frequência: empresas que até crescem, mas não conseguem sustentar esse crescimento.

Porque crescer no esforço é possível.

Mas crescer com consistência exige método.

E método elimina achismo.

Um ponto importante que eu sempre reforço é o seguinte: experiência é importante,mas ela não pode ser usada como justificativa para decidir sem validar.

Eu já vi muitos empresários experientes caírem exatamente nesse ponto.

Quanto mais tempo de mercado, maior a confiança nas próprias decisões.Eis so é natural.Mas existe uma linha muito tênue entre experiência e excesso de confiança.

E quando essa linha é ultrapassada, a experiência deixa de ajudar…e começa a atrapalhar.

Porque o empresário passa a acreditar que já sabe.

E quem acredita que já sabe, para de validar. Quem para de validar, começa a errar com convicção.

E quem erra com convicção, demora mais para corrigir.

Esse é um dos maiores riscos dentro de qualquer empresa.

E é exatamente aqui que entra o conceito de mentalidade de dono.

Muita gente associa mentalidade de dono ao fato de ser empresário.Mas, na prática, não é isso. Mentalidade de dono é postura.

É a forma como você encara decisões, responsabilidades e resultados—independentemente do cargo que você ocupa.

Quem tem mentalidade de dono não decide com base em opinião.

Decide com base em responsabilidade.

E responsabilidade exige informação.

Exige análise.

Exige método.

Eu costumo dizer que decidir bem não é talento. É processo.

As empresas que crescem de forma consistente não são aquelas que acertam sempre. São aquelas que conseguem reduzir o erro.

E isso só é possível quando existe um sistema por trás da decisão.

Quando existem indicadores sendo acompanhados.

Quando existem dados sendo analisados.

Quando existem testes sendo realizados antes de escalar.

Sem isso, qualquer decisão vira aposta.

E empresa não pode operar como aposta.

O mercado mudou.A velocidade das mudanças aumentou.O nível de competitividade é outro. Hoje,decidir com base em achismo não é apenas arriscado. É inviável no longo prazo.

Eu vejo claramente dois perfis de liderança dentro das empresas.

De um lado, o líder que decide com base em opinião.Ele centraliza decisões, reage aos problemas, muda de direção com frequência e depende muito da própria presença para que as coisas funcionem. Do outro lado,o líder que decide com base em dados. Esse constrói processos, estabelece padrões, cria indicadores, delega com segurança e consegue desenvolver  uma operação que funciona com consistência.

Não é uma questão de certo ou errado.É uma questão de nível de maturidade.

E maturidade de gestão passa, obrigatoriamente, pela forma como as decisões são tomadas.

Um dos pontos mais perigosos do achismo é que ele nem sempre gera prejuízo imediato.

Às vezes, a decisão parece correta no curto prazo.

Mas, com o tempo, os impactos começam a aparecer.

Custos aumentam sem controle.

Margens diminuem.

Retrabalho cresce.

A operação perde eficiência.

E a empresa começa a depender cada vez mais do dono.

E quando isso acontece,ela entra em um estado que eu considero crítico:

Ela continua funcionando…mas para de evoluir.

E esse é o maior risco.

Porque não é a queda que destrói a empresa.

É a estagnação.

Empresas que operam no achismo entram em um ciclo muito claro:

Tomam decisões sem dados.

Obtêm resultados inconsistentes.

Não conseguem identificar exatamente o que funcionou.

Repetem os mesmos erros.

E aumentam a complexidade da operação.

Esse ciclo impede o aprendizado.

E sem aprendizado, não existe evolução.

A virada de chave acontece quando a empresa muda uma pergunta simples.

Em vez de perguntar:

“O que eu acho que devo fazer?”

Ela passa a perguntar:

“O que os dados estão me mostrando?”

Essa mudança parece pequena, mas muda completamente o nível da decisão.

Porque tira o foco da opinião e direciona para a evidência.

E quando a empresa começa a operar com base em evidência, tudo muda.

O marketing deixa de ser tentativa e passa a ser estratégia.

 As vendas deixam de depender de percepção e passam a ser analisadas por indicadores.

A operação deixa de ser improvisada e passa a ser estruturada.

O financeiro deixa de ser preocupação e passa a ser controle.

Isso não acontece da noite para o dia.

Mas acontece.

E quando acontece, o negócio sobe de nível.

Outro ponto importante que eu sempre reforço é que estrutura não engessa.

Existe um mito de que criar processos, definir indicadorese estabelecer padrões torna a empresa rígida. Na prática,é o contrário.

Estrutura traz liberdade.

Liberdade para crescer com segurança.

Liberdade para delegar.

Liberdade para escalar.

Porque a empresa deixa de depender do“eu acho”e passa a funcionar com base em um sistema.

E sistema é o que permite escala. Empresas podem crescer no esforço.

Mas só conseguem escalar com estrutura.

Porque escala exige repetição.

Exige padrão.

Exige controle.

Exige previsibilidade.

E nada disso é possível quando as decisões são baseadas em opinião.

Se você quer crescer de verdade, precisa sair do campo do achismo.

Precisa estruturar.

Precisa medir.

Precisa analisar.

Precisa decidir com base em fatos—não em percepções.

No final do dia, o mercado não recompensa quem trabalha mais.

Recompensa quem decide melhor.

E decidir melhor não é uma questão de talento.

É uma questão de postura.

Postura de quem entende que opinião não substitui análise.

Que experiência não elimina validação.

Que intuição, sozinha, não sustenta crescimento.

Mentalidade de dono é isso.

É parar de se apoiar no“eu acho”…

E começar a construir com base no “eu sei”.

Porque,no mundo dos negócios, isso faz toda a diferença. 

Eu sou Marcos Guimarães, e isso é Mentalidade de Dono.

 

 

 

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