O mercado de moda sempre foi vibrante, criativo e marcado pela inovação. Mas, nos bastidores das vitrines, um desafio silencioso tem tirado o sono de muitos gestores: como contratar e reter a Geração Z nas lojas físicas de moda?
A nova força de trabalho — formada por jovens nascidos entre 1995 e 2010 — chegou ao mercado com valores, prioridades e comportamentos que muitas vezes conflitam com as estruturas tradicionais do varejo. Em um setor que exige presença, empatia no atendimento, cumprimento de horários e foco em metas, lidar com uma geração conectada, imediatista e fortemente pautada por propósito e flexibilidade tem exigido uma verdadeira reinvenção da gestão de pessoas.
A Geração Z: conectada, questionadora e inquieta
Diferente das gerações anteriores, a Geração Z cresceu em um mundo digital, fluido e veloz. Estão acostumados a conteúdos rápidos, multitarefas, interações em tempo real e uma vida pública nas redes sociais. Isso se reflete diretamente na sua forma de enxergar o trabalho.
Muitos lojistas enfrentam, hoje, realidades como:
• Jovens que não permanecem mais que 3 ou 4 meses na mesma empresa.
• Candidatos que evitam jornadas fixas ou presença obrigatória.
• Rejeição a reuniões longas, treinamentos padroniza dos ou metas baseadas apenas em resultados.
Mais do que desinteresse, essa postura revela um novo código de conduta profissional, que exige que o varejo de moda repense urgentemente suas formas de contra tar, treinar e engajar.
Reuniões duram demais, feedbacks são escassos e propósito falta
Um dos pontos mais comentados por líderes de loja é a dificuldade em envolver a Geração Z em treinamentos extensos e reuniões tradicionais. Esses profissionais preferem interações rápidas, objetivas e, se possível, digitais. A paciência para longas conversas unilaterais é limitada.
Eles também esperam feedbacks constantes, crescimento rápido e liberdade para serem autênticos no
ambiente de trabalho. Quando não encontram isso, perdem o interesse — e muitas vezes não voltam nem para buscar a carteira assinada.
O que essa geração valoriza?
Para atrair e manter talentos da Geração Z no varejo de moda, é preciso entender o que os move:
• Propósito: querem trabalhar em empresas que tenham posicionamento claro, autenticidade e impacto positivo.
• Flexibilidade: mesmo em lojas físicas, esperam horários mais equilibrados e autonomia no dia a dia.
• Desenvolvimento: valorizam ambientes que proporcionam aprendizado contínuo e não aceitam
esperar anos por uma promoção.
• Reconhecimento rápido: feedback, bônus, liberdade criativa e sentimento de pertencimento são combustíveis poderosos.
• Diversidade e inclusão: a autenticidade é uma marca registrada dessa geração — e eles esperam isso das marcas com as quais trabalham.
Como adaptar sua loja de moda à Geração Z?
A boa notícia é que, apesar dos desafios, essa geração pode trazer uma energia nova, digital, criativa e alinhada com o seu público consumidor mais jovem. Para isso, algumas mudanças são essenciais:
Recrutamento digital e transparente: use redes sociais e linguagem acessível. Seja claro sobre a
cultura da loja e os diferenciais da vaga.
• Treinamento leve e prático: microlearning, vídeos curtos, quizzes e dinâmicas funcionam melhor que
longas apresentações.
• Liderança inspiradora: substitua o tom autoritário por uma comunicação empática, direta e
colaborativa.
• Ambiente acolhedor e com propósito: engaje seus colaboradores em causas sociais, ambientais ou culturais.
• Crescimento real: crie trilhas de desenvolvimento com metas curtas, oportunidades de evolução e reconhecimento criativo.
Finalização: um convite à adaptação e ao diálogo
A moda sempre refletiu os comportamentos da sociedade. Agora, mais do que nunca, ela precisa refletir também a transformação das relações de trabalho. A Geração Z é inquieta, intensa e exigente — mas também é inteligente, criativa e apaixonada por marcas com alma.
Adaptar-se a essa nova realidade é mais do que uma estratégia de gestão: é uma questão de sobrevivência para o varejo de moda. Atrair, formar e reter talentos jovens será um dos maiores diferenciais competitivos da próxima década.
O futuro da moda será moldado por quem estiver disposto a escutar, evoluir e reinventar. E essa reinvenção começa — mais do que nunca — com quem está atrás do balcão.
CLAUDIA LOLITA
CEO da CLAC Contabilidade, especialista em contabilidade para o setor de moda, palestrante e escritora. Atua há quase 30 anos desenvolvendo soluções contábeis e estratégias de crescimento
para marcas e negócios da nova economia.
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