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O Imposto de Renda Vai Muito Além do Salário: A Importância da Declaração para Empresários e Profissionais do Setor de Moda

Redação
Por: Marcelo Gusmão
08/06/2026 às 11:26 Atualizada em 12/06/2026 às 19:40
O Imposto de Renda Vai Muito Além do Salário: A Importância da Declaração para Empresários e Profissionais do Setor de Moda

Todos os anos, milhares de brasileiros deixam para a última hora a entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Muitos acreditam, equivocadamente, que a obrigatoriedade está relacionada apenas ao salário recebido durante o ano. No entanto, a realidade é muito mais ampla, especialmente para empresários, investidores e profissionais do setor de moda.

A entrega da declaração não representa apenas uma obrigação fiscal. Ela se tornou, nos últimos anos, um verdadeiro instrumento de comprovação financeira, credibilidade de mercado e acesso a oportunidades econômicas.

No segmento da moda, isso é ainda mais relevante.

Empresas e profissionais do setor fashion vêm passando por um processo crescente de profissionalização. O mercado está mais competitivo, mais tecnológico e mais conectado a linhas de crédito, programas de incentivo e oportunidades de expansão que exigem comprovação formal de renda e patrimônio.

Muitos empresários da moda ainda enxergam o Imposto de Renda apenas como uma obrigação burocrática. Porém, na prática, a declaração pode abrir portas importantes para crescimento empresarial e patrimonial.

Entre os benefícios indiretos da regularidade fiscal estão:

• comprovação de renda perante instituições financeiras; 

• acesso a financiamentos; 

• participação em licitações; 

• obtenção de crédito empresarial; 

• programas governamentais de incentivo; 

• construção de histórico patrimonial sólido; 

• segurança jurídica e financeira. 

Recentemente, diversos programas de incentivo à inovação e modernização industrial passaram a incluir empresas ligadas ao setor fashion. Um exemplo foi o movimento relacionado à chamada Indústria 4.0, que ampliou oportunidades também para negócios da moda, especialmente aqueles ligados à tecnologia, produção inteligente e digitalização.

Nesse cenário, empresários que possuem organização financeira e fiscal adequada acabam saindo na frente. A declaração do Imposto de Renda passou a funcionar, na prática, como uma vitrine financeira perante o mercado. É importante compreender que patrimônio incompatível com renda declarada gera riscos. Da mesma forma, movimentações financeiras elevadas sem coerência fiscal também podem chamar atenção dos mecanismos de fiscalização.

E é justamente aqui que muitos contribuintes se equivocam.

Grande parte das pessoas ainda acredita que somente quem possui salário elevado precisa declarar imposto. Entretanto, os critérios de obrigatoriedade vão muito além dos rendimentos tradicionais. Em 2026, estão obrigadas a apresentar a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física as pessoas que:

• receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00, valor superior ao limite vigente no ano anterior; 

• obtiveram receita bruta da atividade rural acima de R$ 177.920,00; 

• receberam rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte em valor superior a R$ 200 mil; 

• possuíam, em 31 de dezembro, bens ou direitos em valor superior a R$ 800 mil; 

• obtiveram ganho de capital na venda de bens ou direitos sujeitos à incidência do imposto; 

• realizaram operações em bolsa de valores acima de R$ 40 mil ou com apuração de ganhos tributáveis; 

• pretendem compensar prejuízos de atividade rural; 

• passaram à condição de residentes no Brasil em 2025; 

• utilizaram isenção de ganho de capital na venda de imóveis residenciais com reinvestimento em outro imóvel; 

• possuem bens, direitos ou estruturas patrimoniais no exterior; 

• são titulares de trust ou contratos similares regidos por legislação estrangeira; 

• optaram pela atualização a valor de mercado de bens e direitos no exterior; 

• retornaram ao Brasil após residência no exterior; 

• atualizaram bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado previsto na Lei nº 14.973/2024; 

• auferiram rendimentos de aplicações financeiras ou lucros de entidades controladas no exterior, conforme a Lei nº 14.754/2023. 

Observa-se, portanto, que a fiscalização tributária vem se sofisticando ano após ano.

O cruzamento eletrônico de informações realizado pela Receita Federal se tornou extremamente avançado. Instituições financeiras, operadoras de cartão, cartórios, corretoras, exchanges de criptoativos e diversos outros órgãos fornecem dados eletrônicos constantemente ao Fisco.

Na prática, a Receita Federal possui hoje uma capacidade de análise muito mais tecnológica e integrada do que há alguns anos.

Por isso, a declaração deixou de ser apenas um documento anual. Ela passou a fazer parte de uma estrutura maior de coerência patrimonial e financeira.

No setor de moda, isso merece atenção especial.

É muito comum encontrar empresários que possuem movimentações elevadas em contas pessoais, realizam vendas digitais, trabalham com múltiplas plataformas e possuem patrimônio em crescimento, mas negligenciam a organização tributária da pessoa física.

Em alguns casos, existe até mesmo uma confusão entre movimentação da empresa e movimentação pessoal, o que pode gerar inconsistências fiscais relevantes.

Outro ponto importante envolve a expansão patrimonial.

Muitos empresários da moda começam pequenos, mas ao longo do tempo passam a adquirir imóveis, veículos, aplicações financeiras e ativos empresariais. Sem planejamento tributário adequado, o crescimento patrimonial pode gerar dificuldades futuras na comprovação da origem dos recursos.

Além disso, empresários que pretendem acessar crédito empresarial ou financiamentos encontram cada vez mais exigências documentais. A declaração do Imposto de Renda frequentemente se torna peça essencial para análise financeira.

O mesmo ocorre em operações imobiliárias, processos de sucessão patrimonial e até mesmo em negociações societárias.

A profissionalização financeira deixou de ser opcional.

Empresas e empresários que desejam crescer de forma sustentável precisam compreender que gestão tributária não significa apenas pagar impostos. Significa construir segurança, previsibilidade e credibilidade perante o mercado.

E isso vale tanto para a pessoa jurídica quanto para a pessoa física.

Outro ponto relevante é que muitas pessoas deixam de declarar por medo ou desorganização. Entretanto, a ausência de declaração, quando obrigatória, pode gerar multas, pendências no CPF, dificuldades financeiras e problemas futuros de regularização.

O ideal é que a declaração seja realizada com organização prévia, planejamento e análise estratégica das informações patrimoniais e financeiras.

No atual cenário econômico, quem possui organização fiscal tende a ter mais facilidade para crescer, acessar oportunidades e proteger seu patrimônio.

No mercado da moda, onde criatividade e empreendedorismo caminham lado a lado, a profissionalização tributária se torna um diferencial competitivo cada vez mais importante.

Porque empreender não é apenas vender bem.

É também construir uma trajetória financeira sólida, coerente e sustentável.

CEO da CLAC Contabilidade | Especialista em gestão contábil e tributária | Especialista em empresas do setor de moda | Palestrante e mentora empresarial

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